sexta-feira, 1 de novembro de 2013

PCB lança Mauro Iasi Pré-Candidato à Presidência da República!



PCB LANÇA MAURO IASI PRÉ CANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

A Comissão Política Nacional do PCB, reunida nesta data, conforme decisão do Comitê Central, submete à apreciação da militância do Partido, de seus amigos e aliados, a proposta de lançamento da pré-candidatura do camarada Mauro Iasi à Presidência da República, levando em conta as seguintes razões principais:

- A necessidade de fazermos um contraponto à escancarada antecipação da campanha eleitoral de 2014, um teatro de mau gosto em que predominam falsas divergências entre políticos e partidos burgueses, negociatas, barganhas e toda sorte de cenas da mesma novela bianual da disputa por espaços na máquina estatal;

- O desinteresse dos partidos com os quais compartilhamos a oposição de esquerda em construir uma frente permanente programática, para a unidade na luta para além das eleições e dos partidos com registro. Desde 2006, o PCB insiste nesta proposta, recusando-se a formar coligações efêmeras, engendradas às vésperas das eleições e apenas em função delas;

- A necessidade de apresentarmos um programa político que denuncie a opressão e a violência do capitalismo e contribua com a construção do Poder Popular, dialogando com todos e todas cujas vozes se levantam nas ruas, respeitando suas formas de luta e sua recusa em participar do jogo institucional burguês;

- O fato de a pré-candidatura de Mauro Iasi vir brotando da militância e de simpatizantes do PCB, inclusive angariando a simpatia de outros setores progressistas e de esquerda, desencantados com a postura eleitoreira de partidos e movimentos, parlamentares e candidatos de plantão.

Assim sendo, a CPN, ouvido o Comitê Central, resolve iniciar um processo de discussão no interior do Partido a respeito desta proposta, recomendando que os Congressos Regionais do PCB, que se realizarão no próximo mês de novembro em todo o país, nos marcos do XV Congresso Nacional do PCB, repercutam esta proposta, sem perder a centralidade dos debates no temário principal do Congresso.

O lançamento da pré-candidatura própria do PCB não é um expediente para barganhar com os partidos da oposição de esquerda, com os quais queremos construir uma frente de unidade na luta cotidiana, a partir das bases. Nos Estados em que essa unidade já se desenvolve, devemos estimular a possibilidade de alianças nas eleições regionais.

Nos dias 7 e 8 de dezembro próximo, mais uma vez o Comitê Central estará reunido e dedicará um espaço em sua agenda, voltada para o XV Congresso e outros temas, para conhecer a repercussão da proposta nas bases e, se for o caso, dar outros passos no sentido da pré-candidatura do camarada Mauro Iasi.

Comissão Política Nacional do PCB

Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2013

Fonte: PCB

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Pra onde vai o movimento passe livre? E pra onde não deve ir...

Victor Neves
Militante do PCB RJ

Ontem, vi algo bonito. 100 mil pessoas na rua reivindicando algo juntas é sempre algo bonito. É "fusão de classe", é "politização da 'sociedade'", chamemos como quisermos. É gente se portando como gente, é o ser humano dando o que tem de melhor.

Entretanto, ontem vi algo muito feio e muito triste. Vi côros vaiando grupos apenas porque eles têm posição política e queriam expressá-la em público - mostrando que estão, alguns há décadas, na luta. Vi provocadores e divisionistas se aproveitarem da raiva e da revolta das pessoas e tentar humilhar os comunistas e socialistas na marcha. Vi, afinal, o resultado de tanta repressão, de tanto golpe, de tanta brutalidade de que fomos - todos nós, todos os trabalhadores - alvo no século XX neste país (ou preciso lembrar do que significaram o Estado Novo e o golpe de 64?).

Detalhe: estas ditaduras sempre foram apoiadas pela mídia burguesa. A mesma que agora mudou sua pauta e ESTÁ APOIANDO a grande "festa democrática", desde que ela permaneça afastada dos partidos revolucionários! Acham que tô delirando? Leiam a coluna do Merval Pereira no Globo de hoje (18/6/2013) e a página 10 do 1º caderno deste jornal, celebrando que não há partidos de esquerda nos atos!

Não há problema algum em não se sentir representado por nenhum partido. Problema algum! Mas FORÇAR os militantes de partidos e sindicatos a baixarem bandeiras, sob agressão FÍSICA inclusive, não tem nada a ver com tradições emancipadoras, com respeito à diferença, em suma: não tem nada a ver com nada de melhor do que a excelente sociedade em que vivemos - aliás, só de pior.

QUEM QUER SER AMIGO DA GLOBO? QUEM QUER SER AMIGO DA DITADURA que não permite às diferentes posições o direito de livre manifestação? QUEM QUER SER AMIGO DA DESRAZÃO e do confronto físico com o companheiro?

Eu, SINCERAMENTE, não!

Fonte: PCB

Democracia ou fascismo?


"Material" que circula nas tais "redes sociais"...

Será isso democracia? Ou será fascismo?

À conferir.

terça-feira, 18 de junho de 2013

NÃO BASTA SE INDIGNAR: É PRECISO MUDAR O SISTEMA!

O PCB (Partido Comunista Brasileiro) saúda e se engaja de forma militante no vigoroso movimento surgido a partir de uma manifestação em São Paulo contra o aumento das tarifas de ônibus urbanos.

A estúpida violência policial aos manifestantes repete-se no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília, Belo Horizonte e em cada vez mais cidades brasileiras, independente do partido político do Governador ou do Prefeito. Na defesa da institucionalidade burguesa, não há repressão mais ou menos “democrática”.

Reparem que esta violência é exatamente a mesma em todos os países capitalistas onde os povos se levantam contra os cortes de direito e a fascistização do estado, necessária para garanti-los. Os mesmos uniformes de gladiadores, as mesmas armas cinicamente chamadas de “não letais”: balas de borracha, gás de pimenta e lacrimogêneo.

No Brasil, a crescente fascistização do estado tem a ver com a opção do governo por evitar a crise do capitalismo com mais capitalismo. É preciso muita repressão para aprofundar a privatização do nosso petróleo, dos portos, aeroportos, rodovias, para expulsar os índios de suas terras, “flexibilizar” direitos, adotar um Código Florestal para o agronegócio, desonerar e favorecer o capital.

Em nosso país, a explosão popular demorou a aparecer, em função das ilusões semeadas em 10 anos de um governo que se diz de “esquerda”, mas cuja principal preocupação é alavancar o capitalismo brasileiro.

Aqui, a fascistização do estado se acentuou para que o país acolha “em paz” o novo Papa e os megaeventos (Copas das Confederações e do Mundo, Olimpíadas).

É evidente que o aumento das tarifas foi apenas uma faísca para um movimento que tende a crescer e que tem raízes numa insatisfação sistêmica. Teve o mesmo efeito catalizador das árvores da Praça Taksim, na Turquia. Mas na raiz da indignação, estão o desmonte da saúde e da educação, as privatizações, a brutalidade policial, a corrupção, a injusta distribuição da renda, a inflação, a precarização do trabalho, a falta de perspectivas para a maioria dos jovens e sobretudo o sentimento de traição do governo e a farsa da democracia burguesa.

Não foi gratuita a vaia à Presidente na abertura da Copa das Confederações e o aparecimento de uma nova e vigorosa bandeira para as manifestações. Tratando-se o futebol de um esporte popular no Brasil, fica mais evidente a vocação capitalista desse governo, que promoveu, através de um Ministro dos Esportes que se diz “comunista”, a privatização dos estádios e da própria seleção brasileira (patrocinada por um banco e uma fábrica de bebidas) e a elitização do acesso aos estádios, tornando o futebol uma mercadoria de luxo.

Mas é importante chamar a atenção para as raízes dos problemas que nos levam a indignar e não apenas para as causas. Quanto mais capitalismo, mais injustiça, mais exclusão. O centro da luta tem que ser contra o sistema capitalista e por uma sociedade socialista.

PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO
17 de junho de 2013

Fonte: PCB

OCUPEMOS AS RUAS! TODO APOIO AOS PROTESTOS POPULARES CONTRA O AUMENTO DAS PASSAGENS!

Nas últimas semanas, o povo trabalhador brasileiro, em especial a juventude, vem protagonizando uma série de atos contra o aumento das passagens de ônibus. O que seria uma série de manifestações locais transformou-se em uma onda de protestos populares no Brasil. A União da Juventude Comunista além de apoiar, vem participando de todos os protestos, ombro a ombro com a juventude, as classes populares e as suas diversas formas de organização.

A resposta dos governos e dos monopólios midiáticos é a sistemática tentativa de criminalizar os movimentos, a fim de legitimar a repressão aos protestos populares. Tal repressão foi tão descabida que até repórteres foram arbitrariamente atacados durante os atos. Em um período de organização de grandes eventos internacionais no Brasil, este tipo de ação policial, tão comum no cotidiano dos bairros populares, é apenas uma amostra do trato político que as reivindicações dos trabalhadores terão se não estiverem de acordo com o interesse dos monopólios e da acumulação capitalista.

Os governantes dos mais distintos partidos políticos da ordem tentam veicular a ideia de que os protestos seriam apenas contra um irrisório aumento de 0,20 centavos. Eles dizem também que os protestos são produto da ação de algumas organizações e partidos que tentam tumultuar a ordem do país diante dos mínimos efeitos da crise mundial. No entanto, estes governantes vinculados ao projeto burguês para o país, que são de partidos como o PT, PSDB, DEM, PMDB e suas forças auxiliares, esquecem que cerca de 40% do orçamento doméstico dos trabalhadores são destinados a pagar estas tarifas de transporte. Um serviço sem qualidade, no qual a juventude e os trabalhadores são tratados como gado – ou pior. Tal serviço tem como objetivo apenas promover altos lucros para as empresas de ônibus, grandes financiadoras das campanhas eleitorais desses partidos da ordem.

Portanto, esta luta contra o aumento e por um transporte público de qualidade é uma demanda sentida na pele por milhões de brasileiros e brasileiras. Uma demanda por melhores condições de vida para a população. E como os governos e partidos comprometidos com os interesses dos empresários respondem a esta demanda? Reprimindo, criminalizando e menosprezando a luta deste movimento.

Nós da União da Juventude Comunista, não temos dúvida de que lado da trincheira estamos nestas lutas. Estamos ao lado da juventude e do povo trabalhador em movimento. Devemos aprofundar não só as mobilizações, mas a organização permanente das demandas destes protestos. Na atual conjuntura, lutar contra o aumento das passagens e por um melhor transporte público é lutar contra a mercantilização da vida e contra a natureza privatista de um direito humano fundamental que o capitalismo nos nega: o direito de ir e vir.

Esta luta mostra para os trabalhadores que, apesar da “democratização” do consumo via crédito, demandas estruturais para a classe trabalhadora (como saúde pública estatal e de qualidade, educação pública, reforma agrária e urbana, transporte público de qualidade e conquista de direitos sociais básicos) não serão conquistados por partidos e governos que compactuam com a atual ordem do capital. Estamos certos de que a luta pela defesa da vida humana é mais importante que a preservação dos interesses particulares da acumulação capitalista. Por isso, ocupemos as ruas! A vida é mais importante que lucros do grande capital!

- Redução das tarifas já! Pela estatização das empresas de ônibus, visando a criação da tarifa zero! Transporte público e de qualidade para o povo trabalhador!

- Contra a criminalização e repressão dos movimentos sociais! Questão social não é caso de polícia!

- Passe livre já! Para estudantes secundaristas, universitários e para os desempregados!

- Pela organização dos fóruns populares sobre transporte público e mobilidade urbana! Construindo o poder popular!

- Abaixo os governos do grande capital! Contra a mercantilização da vida!

Coordenação Nacional da União da Juventude Comunista
17 de junho de 2013

Fonte: PCB

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A Semana no Olhar Comunista - Uberaba

UFTM em Greve
A greve de professores e estudantes da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) já dura mais de 80 dias (83, para ser exato); a paralisação do segmento técnico-administrativo da universidade beira os 70 dias (68).

A dimensão conquistada nacionalmente pelo movimento paredista, nesta que é a maior greve docente da história da universidades federais no país, levou o Comitê Central do PCB a reafirmar recentemente seu apoio à luta dos professores (veja). Naquele momento, os docentes acabavam de conhecer a primeira proposta feita pelo governo (diga-se, amplamente rechaçada nas Assembleias Gerais da catergoria Brasil afora).

De lá pra cá, o quadro se agravou. Insistindo em tratar como "reajuste salarial" as reivindicações do movimento por plano de carreira e melhores condições de trabalho, o governo federal não abriu mão de sua postura arrogante e intransigente, decretando na última semana que as negociações estão encerradas (veja).

Pior: para "legitimar" sua decisão, o governo diz ter feito um "acordo" com o PROIFES (arremedo de associação sindical, chapa-branca até a medula, que assiste impávida sua enxuta base se rebelar; vide UFG, UFBA, UnB...) e ameaça cortar o ponto de quem não voltar para a sala de aula. É mesmo o tal "modelo Scania" lembrado por Elio Gaspari (veja aqui e aqui). 

O ANDES, sindicato que representa a quase totalidade das Associações de Docentes (AD) espalhadas pelo país, diz que a greve vai continuar (veja).

A situação dos servidores federais em greve, entre os quais os técnico-administrativos das universidades, não é muito melhor. O governo acaba de apresentar uma proposta que, tal como no caso dos professores, não repõe sequer as perdas inflacionárias (veja).

Está claro o interesse do governo em debelar o movimento docente através de ameaças, para depois dissuadir também os servidores (certamente com a mesma arrogância e intransigência). Para tanto, se utiliza dos bonecos de ventríloquo travestidos de jornalistas, que tratam de jogar a sociedade contra os professores ao espalhar por aí o "privilégio" destes receberem "aumento de salário" num cenário de incerteza econômica.

Embora não seja imune às dificuldades encontradas no plano nacional, o movimento grevista na UFTM obteve vitórias significativas. A ADUFTM, por exemplo, foi uma das poucas ADs no país a elaborar sua pauta local.

Atuando conjuntamente, estudantes, professores e técnico-administrativos já realizaram um seminário sobre o Plano Diretor da UFTM e outro sobre a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, além duas plenárias com Pró-Reitores (PROENS e PROACE; a terceira, com a PROEXT, está marcada para esta semana).

Nesse sentido, a greve na UFTM é uma das poucas com mesa de negociação estabelecida com a Reitoria, abordando pontos das pautas de discentes, docentes e técnicos da universidade. Também chama a atenção a visibilidade conquistada nos meios de comunicação da cidade, inclusive ao ocupar espaço na TV Universitária.

Por fim, há que se mencionar a atuação conjunta com o movimento grevista do IFTM em atividades como a ocupação da BR-050, realizada na última semana (veja aqui, aqui, aqui e aqui).

Os comunistas de Uberaba ratificam seu apoio à luta de estudantes, professores e técnico-administrativos em greve na UFTM, estendido aos profissionais do IFTM.

A greve é forte! A luta é agora!

2º turno à vista
Mais de um mês após o prazo final para o registro das candidaturas, o quadro eleitoral para a prefeitura está enfim definido. A pendênga envolvendo a candidatura do deputado federal Paulo Piau (PMDB) parece ter sido finalmente resolvida com o "dedazo" da executiva nacional em favor do relator do Código Florestal, financiado pelo agronegócio e apoiado pela dissidência comunista de 1962.

O prefeito Anderson Adauto (PMDB) fez o que pôde para atazanar a vida de Piau, pois sabe que o relator do Código Florestal, financiado pelo agronegócio e apoiado pela dissidência comunista de 1962, é cria e cupincha do deputado federal e ex-prefeito Marcos Montes (PSD), seu rival na cidade (para confirmar os laços entre Piau e MM, veja aqui, aqui e aqui).

Ao esticar a corda até o limite, AA cavou sua saída do PMDB e, nesse exato momento, deve mesmo é estar preocupado com sua condição de réu no julgamento do mensalão.

Por sua vez, MM diz apoiar "oficialmente" a candidatura de outra cria sua, o deputado estadual Antônio Lerin (PSB), mas corre mesmo com dois cavalos; aliás a arquitetura da chapa Piau-Almir Silva (PR) é mais uma obra sua.

Sem o apoio de MM e Aécio, o ex-deputado estadual Fahim Sawan (PSDB) corre por fora.

A candidatura do deputado estadual Adelmo Leão (PT) tem como vice a assessora de AA, o que justifica o slogan continuista "Uberaba não pode parar", mas que não garante lá muita coisa. O PT de Adelmo terá de suar a camisa e contar uma vez mais com o poder metafísico de Lula, o Magnífico, se quiser entrar mesmo na disputa.

Edson Santana (PPS) e Wagner do Nascimento Jr. (PTC) completam o rol de prefeituráveis.

Diante da indefinição sobre o próximo prefeito da cidade, uma coisa parece certa: Uberaba terá 2º turno.

Ausência
O que mais chama a atenção no quadro eleitoral é a ausência de uma candidatura de esquerda, socialista. Isso significa dizer que o processo eleitoral de Uberaba não terá um contraponto sequer ao peverso modo de produção zebuíno aqui vigente, que se faz representar em todas as candidaturas, sem exceção.

Aliás, sem socialistas e comunistas, a cidade terá de se contentar com a velha (e velhaca) briga de coronéis. Perde Uberaba, perde a esquerda.

O não lançamento de candidaturas expôs a fragilidade dos partidos de esquerda na cidade. Fragilidade estrutural, mas também política. Situação apresentada na nota política emitida pelos comunistas (reveja).

Num gesto consequente, o PSTU decidiu não lançar candidaturas, comunicando publicamente através de nota que refaz e analisa o itinerário da Frente de Esquerda (veja). Gesto que agrega substância e qualidade política à direção local do PSTU, e que merece acolhimento dos comunistas.

Enfim, os comunistas de Uberaba concordam com os termos gerais da análise do PSTU sobre a Frente de Esquerda e se colocam a disposição para o restabelecimento do diálogo, visando a constituição de uma ação socialista, coletiva e permanente na cidade.

Quanto ao PSOL local, fica a expectativa para que reveja suas posições e passe a acreditar que é possível sim fazer política coletivamente (e dá pra fazer política sozinho?).

Somente com a unidade das forças de esquerda Uberaba poderá ter outro destino.

Caso contrário, a cidade terá de aturar briga de coronéis por muito tempo...

Registre-se
Apenas para registro: o Comitê Municipal do Partido Comunista Brasileiro - PCB não apoia nenhuma candidatura na cidade, seja ela a prefeito ou a vereador.

PcdoB e Piau, tudo a ver...
A seção "PcdoB e Piau, tudo a ver..." desta semana conta com reforço do Facebook.

A foto ao lado traz a propaganda de um candidato a vereador pela dissidência comunista de 1962, sabe-se lá em que lugar do país (clique na imagem para ampliá-la).

Repare na nefasta sinceridade do slogan. Note que não há nenhuma menção ao partido, tampouco foice e martelo. Mas o número do infeliz não deixa dúvida: 65 é o número de legenda do PcdoB, também chamado de PseudoB.

Bem que Piau e a seção local da dissidência de 1962 poderiam adotar o lema durante a campanha, certamente condizente com o que pensa essa tchurma toda.

Não. Pensando bem, nem nefasta sinceridade esse povo tem. Deixa prá lá...

Glossário
Para facilitar a leitura e compreensão da seção "PcdoB e Piau, tudo a ver...", segue abaixo a relação de termos empregados para a nomenclatura daquele partido:

- PcdoB;
- Dissidência comunista de 1962;
- Dissidência de 1962;
- PseudoB.

Importante dizer que a relação pode ser atualizada a qualquer momento.

Qual é o programa comunista para um município na atualidade? 
O Instituto Caio Prado Jr. - Uberaba está promovendo o Fórum de Debate: Qual é o programa comunista para um município na atualidade?.

A inciativa visa estimular a troca de experiências e percepções reunidas em várias localidades, tendo em vista a orientação de intervenções programáticas dos comunistas na vida da cidade.

Basta acessar o link do fórum (aqui) e registrar suas contribuições nos comentários do texto de apresentação.

Participe!

Uberaba, 7 de agosto de 2012
1922/2012 - 90 anos do PCB

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Para que o PCB disputa eleições?

(Nota da Comissão Política Nacional do PCB)

Pode parecer difícil entender por que o Partido Comunista Brasileiro (PCB) disputa as eleições com poucos candidatos, em chapa própria ou em algumas coligações com pouca densidade eleitoral, reduzindo nossas chances de vitória.

É porque o povo é levado a pensar que a “política” se reduz às disputas eleitorais e acontece apenas de quatro em quatro anos, ou de dois em dois, já que eleições nos municípios não coincidem com as estaduais ou federais.

A mídia faz com que as eleições se transformem num “show”, escondendo o debate sobre os problemas reais vividos pela população. Nós do PCB não somos um partido eleitoreiro; não queremos crescer a partir de alianças e/ou acordos oportunistas, incompatíveis com nossas ideias e convicções. Por isso, a história das lutas dos trabalhadores brasileiros não pode ser contada sem que se fale no PCB. São 90 anos de vida ativa e coerente em defesa da classe trabalhadora.

O PCB desenvolve uma linha política revolucionária, e acha que nas eleições deve ocorrer um debate profundo sobre a vida dos trabalhadores nas cidades e no campo, que não está descolada da situação do país e do mundo. Os candidatos do PCB não participam das eleições apenas para tentar ganhá-las, mas para fazer com que este debate exista, avançando a luta dos trabalhadores e a organização dos movimentos sociais.

O momento exige uma reflexão sobre a necessidade de uma mudança radical no “desenvolvimento” das cidades. Este deve existir a partir das necessidades dos trabalhadores e das camadas populares, maiores vítimas da exploração e do caos urbano gerado pelo capitalismo. Afinal de contas, sentimos na pele a queda da qualidade de vida pelo aumento da violência e das doenças, pela desigualdade de acesso à educação, ao conhecimento e à cultura, pela destruição do meio ambiente.

O PCB se recusa a fazer parte do jogo sujo que transforma os partidos políticos em meros fantoches de grandes grupos econômicos que não se importam com os trabalhadores. Não usamos as eleições para fazer falsas promessas e enganar o povo. Afinal de contas, o trabalhador vai sendo alijado dos fóruns de decisão e cada vez mais se tornando massa de manobra em favor dos interesses dos poderosos.

Não achamos que “é feio” perder eleições. Entendemos exatamente o contrário; feio é ganhar eleições através da compra de votos, de falsas promessas, de políticas inconsistentes que transformam tudo em jogo eleitoral e afastam a participação popular após o pleito, que trata o eleitor como “consumidor” de candidatos transformados em “mercadoria” pelo marketing e as conveniências do momento.

Nessas eleições, em todas as cidades em que tiver candidatos, o PCB falará uma só linguagem, pois tem um como princípio o compromisso com os trabalhadores. Queremos sim eleger alguns dos nossos candidatos, para que os comunistas transformem seus mandatos em instrumento a serviço da denúncia política, da crítica ao capitalismo, da apresentação de propostas objetivas para os interesses da classe trabalhadora e, principalmente, do apoio às lutas populares e defesa de seus interesses.

Para o PCB, a política não se esgota no voto, não se limita à época das eleições. Os trabalhadores devem fazer política o ano todo, organizando-se, lutando e debatendo tudo que lhes diz respeito como o orçamento público, a educação, a saúde, os transportes, a cultura, a assistência social, a reforma urbana e agrária, a preservação ambiental. E principalmente uma nova sociedade, sem explorados nem exploradores.

Para podermos construir o verdadeiro Poder Popular, só com muita luta e organização todos os dias, não apenas no calendário eleitoral. Convidamos você a fazer parte desse projeto, não apenas através de seu votoconsciente no PCB mas principalmente de sua participação nos movimentos sociais e políticos populares organizados.

Construa ao nosso lado a nova ordem socialista! Só a luta muda a vida!

PCB – Partido Comunista Brasileiro

Fonte: PCB (4/8/2012)

terça-feira, 24 de julho de 2012

A ARENA vem aí...

A direita se assanha.

Além de ameaças e ações terroristas contra o grupo Tortura Nunca Mais, por exemplo (veja), fala-se agora na restauração da finada Aliança Renovadora Nacional (ARENA), braço partidário da ditadura militar (1964-1985).

E tal como na telona, também aqui o diabo veste Prada.

"A Arena é um movimento dinâmico que resgata valores de conservadorismo, nacionalismo e tecnoprogressismo", diz Cibele Bumbel Baginski, 22 anos, estudante de Direito na Universidade de Caxias do Sul (RS), e porta-voz das "150 pessoas comprometidas com o projeto" de retirar a ARENA da tumba.

Os comunistas que se cuidem... 

Estudante lidera movimento para refundar partido do regime militar

Demétrio Rocha Pereira
Direto de Porto Alegre

Mais de três décadas depois de extinto o bipartidarismo no Brasil, um grupo com representantes em mais de 10 Estados brasileiros quer tirar dos porões do passado a Aliança Nacional Renovadora (Arena), criada em 1965 para sustentar a então incipiente ditadura militar. Mas engana-se quem pensa que o líder dessa iniciativa veste uniforme das Forças Armadas e penteia cabelos brancos. As mais de 150 pessoas comprometidas com o projeto são presididas por Cibele Bumbel Baginski, 22 anos, estudante de Direito na Universidade de Caxias do Sul, na serra gaúcha. A nova Arena, avisa Cibele, responde a um cenário em que a política brasileira está desmoralizada, com 30 siglas em atividade entre as quais "não existe partido de direita".

Aos apressados em reprochar a empreitada, Cibele ensina: o que a Arena professava era uma coisa, e o que os arenistas faziam nas rédeas do País era outra. "No período pós-64, havia a Arena, o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e o governo. O que o governo ou o que os eleitos fizeram são atos dessas pessoas, não dos partidos - porque eles não têm autonomia jurídica para torturar ninguém, censurar ninguém, matar ninguém. Foi o sistema que fez, e não o partido. O partido político faz política, que é outra coisa."

De fato, não foi "política", e sim "Ato Institucional número 5" o nome de batismo da licença jurídica que permitiu ao Estado cassar os direitos dos cidadãos. Se a ordem legal frustrava o combate à militância de esquerda ainda em 1968, o AI-5 calhou como álibi para a censura e o assassinato, práticas em que Cibele não vê o dedo da Arena. "O partido não foi o executor, e com certeza a tortura é uma coisa muito errada, triste e lamentável, qualquer idiota sabe disso, mas o partido, em si, fazia política", sustenta a jovem, reconhecendo que Executivo e Legislativo andavam de mãos dadas: "O que os governantes faziam, eles estavam endossados pela lei para fazer."

Mas Cibele diz que não pretende voltar os olhos para trás. É mirando o futuro que ela juntou os amigos para dar vida nova à Arena. "A História do Brasil - a Revolução de 1964 e outros fatos - deve ser respeitada, mas um partido político não é uma instituição histórica para ficar remoendo fatos do passado. Deve-se respeitá-los, sim, conhecê-los, mas deve-se focar em propostas para mudar o País, que é o que um partido político faz: propor e fazer", ela diz, com a sabedoria de quem foi filiada ao DEM, circulou pelo PP e estudou o PCdoB.

E foi justamente munida de amizades com comunistas que a estudante teria descoberto, entre familiares de vítimas, o sentimento de que a Lei da Anistia quitou as dívidas da ditadura. "Conversei com um senhor que teve um parente sequestrado na época. Ele estava indignado - ele é de um partido de esquerda, aliás - e me disse o seguinte: 'Tudo que eu quero é que deixem o meu parente morto em paz para que eu possa rezar por ele. Eu não quero arrancar dinheiro do governo para enriquecer às custas dos cofres públicos, eu quero paz.' E, realmente, alguém assim quer paz, não quer ficar fazendo mídia às custas de quem morreu, sofreu e teve a sua história triste. Eles querem tranquilidade."

Como Arena alguma patrocina autoritarismo que não esteja previsto em lei, o alento de rezar no sossego de casa serve também aos saudosos de coturno: "Respeitamos a Constituição Federal de 1988, assim como a antiga Arena respeitava a Constituição da época." A nova Arena não está interessada em romper com a ordem democrática, mas em resgatar valores como o nacionalismo e o conservadorismo.

"A Arena de agora não é a recuperação daquele partido. Eu, por exemplo, não vivi naquela época. Tem muita gente nova. É um movimento dinâmico que resgata valores de conservadorismo, nacionalismo e tecnoprogressismo", afirma Cibele, anunciando mecanismos de consulta popular e de democracia interna: "Temos tópicos no programa que preveem pesquisas para ver o que a população realmente acha que vai ser mais eficiente - questões de maioridade, penas, aprimoramento do sistema educativo, desenvolvimento de tecnologias em várias áreas. É um programa amplo e, ao mesmo tempo, bem sintético, porque a Arena de agora, assim como a antiga, se fores reparar, é uma aliança de várias tendências diferentes."

Se o presidente deposto pelo Exército, João Goulart, propunha controlar as remessas de dinheiro ao exterior e nacionalizar refinarias estrangeiras, Cibele adverte que nacionalismo também é questão de firmar baluarte em favor dos costumes locais. "Tem várias pessoas que não gostam da invasão em excesso de outros países aqui dentro, porque a gente vai perdendo a cultura própria do Brasil. Se tu vais perguntar, por exemplo, para uma pessoa mais jovem do Nordeste se ela conhece aquela música, Luar do Sertão, do Catullo da Paixão Cearense, a criatura não conhece. Agora, axé tem um monte. Tu perdes a cultura porque tu vais botando Lady Gaga no lugar, às vezes, de um Teixeirinha da vida", lamenta.

Brasil sem direita
Para Cibele, a Arena vem suprir a vacância de uma representação de direita em um contexto de pragmatismo ideológico. "Eu diria que, entre os que estão por aí, não existe partido de direita. Existem centristas, um tanto governistas, na sua maior parte social-democratas (como o PSDB) ou liberais (como era o PFL, hoje Democratas, e o PP). O perfil do nosso partido não é focado no liberalismo. Como programa, a gente não defende o Estado mínimo nem o Estado máximo, porque o Estado máximo seria implantar uma ditadura aos moldes comunistas e marxistas, e o Estado mínimo seria simplesmente criar um anarquismo", ela pondera, exaltando a moderação como virtude própria do conservador.

Sem citar nomes, a jovem confirma ter sido procurada por políticos e militares. "Há assim, vamos dizer, pessoas interessadas que atuam no meio militar. Conversei com um general aposentado que me falou ser maravilhosa essa organização dos jovens. O pessoal mais velho tem restrições para participar, até mesmo por motivos de saúde, mas há interessados."

Ainda que o site provisório da legenda conclame a participação de militares e servidores públicos, Cibele rechaça abrir portas a toda a velha guarda arenista. "O (deputado federal Paulo) Maluf (PP) é o tipo de pessoa que eu gostaria de ver muito longe da Arena. Não é o tipo de pessoa adequada, que tenha o perfil de querer ser diferente de todo esse interessismo, dessa situação no Brasil. Uma pessoa procurada por 'n' crimes não tem o menor currículo para estar num partido que se propõe a ser honesto. Tem que fazer política, e não politicagem."

A líder da nova Arena não recua ao tratar de temas controversos, embora se preocupe com o arejamento das opiniões dentro do partido em assuntos como o aborto. "Estamos defendendo a conscientização ao controle de natalidade, mas isso não é um tema pacificado. Tenho uma opinião até complicada de expor porque, na posição em que estou, vou influenciar a opinião dos outros."

O recato é menor quando vem à baila o Bolsa-Família: "Os programas assistencialistas são ridículos. O que tu vês é uma mãe tendo uma penca de filhos e recebendo R$ 50 para dar comida para cada um. Tu achas que ela consegue alimentar um filho com R$ 50 um mês inteiro? Garanto que não. Com meu irmão aqui em casa, gasto bem mais que R$ 50 para alimentá-lo no mês", revela, preocupada também com o ócio dos beneficiários: "Daqui a pouco a criatura vai achar que é mais fácil ganhar bolsa do governo que trabalhar. O que o governo tem que fazer para distribuir renda é capacitar as pessoas e dar emprego para elas."

Sobre a Copa do Mundo de 2014, Cibele encontra no deputado federal Romário (PSB-RJ) um discurso a ser seguido. A estudante apoia uma petição que pretende enviar o evento para a Inglaterra. "A Copa no Brasil vai ser, depois de Brasília, o maior roubo ao contribuinte que tu vais ver na História. O Romário disse, e ele entende do assunto por ter sido jogador: 'manda essa Copa embora, vai ser uma roubalheira'. Não consegui conversar com ele a respeito do partido, e até gostaria de convidá-lo no futuro, mas enfim, a questão da Copa é que estão fazendo tudo em cima da hora e, daqui a pouco, vão dizer que não há prazo para fazer licitação - e, sem licitação, como é que tu vais controlar quanto dinheiro foi roubado?", ela pergunta.

Repelir a Copa vem também por coerência com a cartilha nacionalista, já que o evento estaria orientado para "os gringos virem aqui se divertir". "Porque o pobre não vai ver a Copa, o pobre não vai ter dinheiro para isso", antecipa, apontando problemas irresolvidos no País, como a falta de computadores na escola do irmão e a superlotação das UTIs.

Demonstrando conviver em harmonia com divergências, Cibele reconhece os méritos de dar a cara a tapa por suas convicções. "Simbolicamente, algumas pessoas vão remeter à época. Tu podes observar que vai acontecer uma coisa: as pessoas ou vão simpatizar muito ou não vão gostar, como amigos meus de partidos de esquerda que disseram 'bah, isso é terrível, tu podias ter inventado outra coisa'. É que nem sushi - ou tu gostas ou tu não gostas. É importante ter aquela sinceridade de dizer 'olha, eu acredito nisso, e não naquilo' e não precisar ficar agradando todo mundo com um discurso hipócrita. Tentar ser legal com todo mundo é estar mentindo. Ser sincero é uma coisa que ninguém faz hoje na política, e a gente precisa disso."

Fonte: Terra (24/7/2012)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A Semana no Olhar Comunista - Uberaba

Guerra no campo
Circulou na última semana a notícia de que teria sido capturado o suposto assassino dos três trabalhadores sem terra ligados ao Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), executados em março deste ano, numa estrada vicinal em Miraporanga, distrito de Uberlândia. De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais, "vingança" seria o motivo do crime.

Para os policiais, o assassinato foi uma retaliação do autor e de um comparsa (que desembolsou R$ 7 mil pelo "serviço") presos em 2009 com 300 kg de maconha, próximo ao assentamento do MLST . Assassino e mandante acreditavam que os três trabalhadores executados em março foram os delatores.

Segundo a versão da PC mineira, a execução nada teria a ver com a disputa por aquelas terras, eximindo os agentes do latifundio de participação no crime. A publicidade dada pela imprensa de Uberlândia para a captura do assassino exalou o alívio dos latifundiários com a versão policial (veja um exemplo).

Em resumo: as mortes teriam sido causadas por questões "pessoais", por "vingança", e não por questões "políticas", de luta pela terra.

Pois bem, ainda que a explicação policial esclareça as cirunstâncias mais imediatas do crime, o problema da guerra no campo persiste no caso; afinal, mesmo admitindo como válida a versão da Polícia Civil, a execução dos trabalhadores sem terra por suposta denuncia de tráfico revela à sangue frio a fina sintonia existente entre traficantes e latifundio.

Ora, não é segredo algum o interesse dos tráficos (de entorpecentes, armas, veículos, etc.)  numa estrutura que mantenha intactos, inabitados e muitas vezes improdutivos milhares e milhares de quilômetros de terra, cortados por milhares e milhares de quilômetros de estradas vicinais, margedas por milhares e milhares de quilômetros de arame farpado. Em ambiente assim, cocaina costuma cair do céu...

A presença dos assentamentos e do regime de pequena propriedade altera completamente esse quadro. Circulação, produção, enfim, a vida passa a andar por ai.

Se, de fato, três trabalhadores foram assassinados por denunciar o tráfico, é porque: a) as vítimas testemunharam os traficantes em ação entre milhares e milhares de quilômetros de terra; e b) os traficantes agiam com a certeza de quem está "em casa", o que explicaria o descuido com o sigilo.

Portanto, as mortes são o reflexo cruel da conveniência entre traficantes e latifundiários. Sim, pois não dá para acreditar que carregamentos de entorpecentes (armas, veículos, etc.) circulem pelos latifundios sem a anuência de seus "proprietários"; seria pueril demais.

Todos sabemos que o sujeito preso pela PC mineira pode até ser o assassino, assim como sabemos que tal sujeito está longe de ser o único e/ou principal responsável pelo crime de Miraporanga. E, ao contrário do oba-oba da imprensa, a dimensão política do crime é notória.

Só não vê quem não quer.

A guerra no campo segue sua marcha: semeando ódio, ceifando vidas.
I
UFTM em greve
Professores e estudantes da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) completam 7 semanas de paralisação, enquanto o segmento técnico administrativo da instituição entra na sua terceira semana de greve. Entre os docentes, a adesão ao movimento ultrapassa a casa dos 80% (veja aqui e aqui).

Nos últimos dias, os professores protocolaram na reitoria da UFTM sua pauta local (veja) e o Conselho de Ensino (COENS) aprovou a suspensão do calendário acadêmico a partir de hoje (25) (veja). Docentes, discentes e técnicos trabalham agora para a homologação da medida já na próxima reunião do Conselho Universitário (CONSU), prevista para quarta (27).

Ao todo, a greve atinge 59 Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), incluindo a adesão de seções sindicais não filiadas ao Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Supeiror (ANDES-SN). Tão ao gosto do petismo, vale dizer, nunca antes na história deste país houve nas IFES um movimento paredista como este (veja aqui e aqui).

Até o momento, o governo se recusa a negociar. Certamente com a esperança de desgastar a paralisação, o estafe ministerial cancelou dois encontros e limitou a presença do Comando Nacional de Greve (CLG/ANDES-SN) na única e inócua tentativa de diálogo entre as partes.

No entanto, o movimento é forte e a greve continua.

IFTM em greve
E, na última quarta (20), os servidores do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) também entraram em greve. Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial, plano de carreira e melhores condições de trabalho (veja).

Dispersão eleitoral
Como o prefeito Anderson Adauto (PMDB) e o ex-prefeito e deputado federal Marcos Montes (PSD) não aparecerão na tela da urna em outubro, tudo mundo passou a acreditar que pode ser o próximo prefeito de Uberaba.

Não à toa, a dispersão dá o tom do momento. Fahim Sawan (PSDB) e Antônio Lerin (PSB) sustentam sua candidaturas: o primeiro, conta com o apoio do diretório local; o segundo, tem o apoio de Aécio e Anastasia.

O deputado federal Paulo Piau enfrenta situação semelhante. Tem o respaldo do comando estadual, mas padece de amparo na seção local do PMDB, que está todinha no bolso de AA. O alcaíde demonstra disposição para atrapalhar Piau no que puder, para a sorte do PT de Adelmo.

Talvez seja a incerteza que ronda a candidatura de Piau a responsável por fazer MM levar adiante seu plano B, que parece ter colado. Com isso, MM e sua tchurma demonstram disposição de iniciar o páreo montados em dois cavalos (Piau e Lerin), esperando chegar ao 2º turno com ao menos um deles.

Ao estilo de Brancaleone, Fahim se sustenta nos índices de intenção de voto, que lhe dão entre 15% e 20%. Terá o apoio de Aécio e da máquina estadual somente se chegar ao 2º turno. Até lá, ambos (Aécio e máquina) estarão engajados na campanha do PSB/MM.

Há também outros partidos que devem ter seus candidatos à prefeito muito mais para barganhar cargos no 2º turno (PPS, PTdoB, etc.).

Por fim, fracassada a Frente de Esquerda, é possível que o PSOL também tenha candidato. O PSTU ainda não se manifestou publicamente.  

O prazo para convenções se encerra no sábado (30). As homologações ocorrem até 6/7.

PcdoB e Piau, tudo a ver...
Diante de tamanha indefinição no cenário eleitoral, uma coisa é certa: a dissidência comunista de 1962 manda avisar que vai mesmo aderir à coligação de Paulo Piau. É o que diz a presidente local do PcdoB, na edição de hoje (25) do Jornal da Manhã (veja).

Coitado do desavisado que se deparar com o relator do Código Florestal, financiado pelo agronegócio, em meio a bandeiras vermelhas tendo a foice e o martelo ao centro. O coitado não vai entender nada...

Por essas e outras, muitas outras, a dissidência de 1962 prestaria grande serviço à esquerda, aos comunistas e ao país se assumisse o que de fato é: tudo, menos um partido comunista.

Lula & Maluf
Por outro lado, Lula e PT não se cansam de prestar grandes serviços à esquerda. A aliança com o malufismo na capital paulista (aliás, aliança que vigora no Planalto desde os tempos de Lula lá), ratificou que, se um dia o PT foi tido com um partido de esquerda, esse tempo já passou; há tempos...

Situação que reforça a necessidade da consolidação de um grande partido de massas na esquerda brasileira, à deriva desde que o petismo passou a revelar-se por inteiro e o PT assumir a coloração opaca dos partidos de centro (como se nota, o PcdoB não está sozinho).

Gracias, Lula!

Golpe no Paraguai
Não existe outra definição para o que ocorreu com Fernando Lugo, deposto da presidência do Paraguai em menos de 30 horas: golpe.

Fruto de uma composição eleitoral que encerrou as seis décadas consecutivas de domínio do Partido Colorado, recolhendo partidos em todo o espectro partidário, da esquerda à direita, o governo Lugo foi golpeado, em parte, por sua própria incapacidade de levar a cabo o projeto de mudança a que se propôs. Entre a governabilidade no parlamento e o respaldo do movimento de massas, Lugo vacilou e ficou sem qualquer um dos dois.

Perdeu a hegomonia política, mesmo dispondo de certa legitimidade popular, esta aparetemente incapaz de reverter sozinha o jogo. Por isso, as atenções se voltam para as reações da comunidade internacional.

Argentina, Equador e Venezuela não reconheceram o governo golpista. O Brasl deveria fazer o mesmo.

Ou será que os diplomatas brasieliros cairão no canto de sereia de "respeito aos procedimentos constitucionais", entoado pelos golpistas?

Não custa lembrar que os "procedimentos constituicionais" também foram "observados" na deposição de João Goulart, em 1964, com a posse do presidente da Câmara Federal, Ranieri Mazzilli, em substituição ao presidente deposto. Somente depois os militares assumiram escancaradamente o comando.

Enfim, é preciso garantir o direito de defesa de Lugo, presidente eleito democraticamente. O governo brasileiro deve se posicionar contra os golpistas. E logo, pois o tempo não para.

Clique aqui para ver a Nota Política do Secretariado nacional do PCB, elaborada e divulgada ainda antes do impeachment de Fernando Lugo (ou aqui para ver matéria da revista Caros Amigos).

Uberaba, 25 de junho de 2012
1922/2012 - 90 anos do PCB